A urgência da renovação política foi tema central de palestra promovida pelo IAP

 

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O empresário Rogério Chequer, fundador do movimento “Vem pra Rua” foi o convidado de honra do Instituto dos Advogados do Paraná (IAP) na confraternização realizada nesta quinta-feira, 10 de agosto, antecipando o dia do advogado.

Ao apresentá-lo, o presidente do IAP, Hélio Gomes Coelho Júnior, ressaltou a importância de que a sociedade civil não se ausente das discussões ligadas à política e à cidadania para que seja possível mudar o atual status quo do Brasil, atualmente apoiado em “um Estado perdulário e arrogante que se nutre dos cidadãos”.

Chequer traçou um panorama da história de formação do “Vem Pra Rua” e convidou os presentes a se engajar na luta suprapartidária centrada em dois grandes objetivos: o combate à corrupção e a renovação política. “Aliás, se tivesse de escolher apenas um deles eu optaria, de olhos fechados, pela renovação dos quadros políticos, especialmente no Legislativo”, afirmou.

Origem

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Segundo o empresário, a ideia do movimento surgiu em janeiro de 2014, quando ele e demais convidados de uma festa falavam de suas angústias com o cenário político nacional. Como estava cansado do comportamento queixoso de resultado zero, ele começou a pensar em uma ação mais concreta. Seu ponto de partida foi a análise do impacto dos atos públicos de junho anterior, nas chamadas manifestações do passe livre, sobre a avaliação do governo. “Antes do movimento a presidente Dilma Rousseff tinha mais de 60% de aprovação. Em três semanas, o índice reduziu-se praticamente à metade segundo pesquisa divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo. Concluí que se tem algo que muda a opinião pública é gente indo para a rua.”

Com essa ideia, ele juntou os amigos e montou o movimento Basta, cujas convocações para manifestos deram em nada. “Foi um fiasco. Na primeira convocação reunimos quatro pessoas no Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera, em São Paulo. Quatro, contando comigo”, relembrou. Meses depois, em agosto de 2014, já a poucas semanas das eleições presidenciais e em parceria com Colin Butterfield, também empresário, o movimento ressurgiu com o nome que o consagrou: “Vem pra rua”.

Resultados

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Chequer foi enfático ao apontar os resultados do movimento. “Temos memória péssima, e tendemos a ver sempre a terra arrasada. É preciso lembrar que o cenário anterior às primeiras manifestações era de reeleição de Dilma no primeiro turno, o que seria uma chancela imensa para todas as ações de seu governo. Além disso, há dois anos e meio vivíamos sob a ameaça da censura à imprensa e com uma mistura entre poderes ainda mais intensa”, enumera. O empresário também se orgulha dos números alcançados. “Em março de 2015 tivemos 1 milhão de pessoas reunidas em protestos. Em março de 2016 foram 6,5 milhões. E, mesmo que queiram dividir esse número por três, ainda é recorde mundial para um ato público não religioso” destacou.

Em sua exposição, ele fez questão de destacar que o “Vem Pra Rua” é uma organização suprapartidária cujos quadros são majoritariamente compostos por profissionais que trabalham em diversas áreas e dedicam-se ao ativismo político nas horas livres. “Estamos em todos os estados brasileiros. São 193 cidades, sendo 47 no Paraná e 42 em Santa Catarina”, contabilizou, destacando que os dois estados são chaves para qualquer ação que busque conectar a população e uni-la em torno de causas comuns. Depois de traçar a história do movimento, Chequer apresentou as ações que estão em curso para que o ideário do “Vem Pra Rua” possa ser concretizado.

Tchau, queridos

Atento às eleições de 2018, o movimento está organizando uma “lista negativa” de políticos que não merecem ser reeleitos. Com critérios concretos, a lista é formada a partir de um ranking de desempenho mantido pelo site políticos.org, explicou ele. O plano, sempre contando com o poder de propagação da sociedade, é ir divulgando a lista aos poucos, ao longo de todo o período pré-eleitoral. “A cada semana mostraremos o político da vez a ser banido da vida pública”, anunciou.

Ciente de que a mudança só se completa com sangue novo, Chequer e Butterfield trabalham também na formação de uma Frente Pela Renovação, cuja agenda é formada por uma visão predominantemente liberal e por uma noção mais concreta de igualdade. “Não cabe uma casta de funcionários ter uma aposentadoria 30 vezes maior que a média dos demais”, pontuou. Como acabar com isso? “Estamos abertos a longos períodos de transição, mas temos de fixar um norte, saber para onde vamos”, destacou. Para tanto, Chequer conta com o apoio da sociedade organizada para que a Frente consiga arregimentar pessoas determinadas a entrar para a vida pública e cumprir sua agenda. “Buscaremos essas pessoas por um processo seletivo criterioso e investiremos em treinamento e formação.”

“É urgente que façamos algo concreto, mesmo pequenos gestos, para que nossos filhos não precisem enfrentar situações duras como as que hoje enfrentamos porque assim permitimos” pregou.